Nas profundezas da noite, uma realidade em que todos, anjos, demônios e humanos, se recolhem em suas casas, apartamentos, cavernas ou qualquer outro buraco imundo para seu repouso, a paz imperava na cidade de San Sebastian.
Naquelas horas da madrugada, não havia o som de carros, não havia o ruído das pessoas, não havia o menor barulho.
Havia apenas o silêncio.
Se nessas horas de paz, alguém encostasse o ouvido em um bueiro da avenida principal da cidade, ouviria uma música clássica bem baixinha.
A musica não vinha do sistema de esgotos, ou do metro no subsolo. Ela vinha de um nível muito mais profundo.
No coração de San Sebastian, a algumas centenas de metros abaixo de todos aqueles prédios e casas, a musica vinha de um lugar há muitos séculos esquecido. Nem mesmo os maiores historiadores ou os lideres do G7 sabiam da existência daquele lugar.
As Catacumbas abandonadas.
![]() |
| fiz um sketch rapidão só pra vcs terem uma ideia do lugar |
Milhares de colunas de duzentos metros de altura separavam o piso do teto daquele lugar. O lugar contava com centenas de quilômetros quebrados de extensão. Não se sabe quando ou por quem foi construído, muito menos a sua finalidade. O que importa, é que no momento, ele estava sendo usado como santuário particular de um determinado homem.
O ambiente era iluminado por velas, e em seu centro havia uma fonte ricamente decorada com arte clássica. Sentado em uma poltrona com aspecto mórbido, o homem bebia uma taça de vinho enquanto desfrutava de um livro antigo ao som da musica clássica. Ao seu redor, haviam dezenas de estantes repletas de livros. Livros que no passado foram condenados a fogueira e ao esquecimento. Livros que não se acham em nenhuma biblioteca do mundo. Um conhecimento que nenhuma pessoa deveria saber. Como o próprio dono daqueles tomos proibidos dizia... Um conhecimento reservado aos escolhidos por Deus.
Não havia entrada para as catacumbas, nem uma saída. Pelo menos, não para pessoas normais. A única forma de entrar ali era através do mar. Era necessário mergulhar na costa de San Sebastian, e submergir até profundezas abissais, para então encontrar o sistema de cavernas que estava interligada ao chafariz no centro das Catacumbas.
![]() |
| deu pra entender? |
![]() |
| Ivanovich, peacemaker comrade kkkkk |
O líder da OTAM, Ivanovich torcia as mangas de seu terno para secá-lo, enquanto reclamava consigo mesmo por ter molhado seus charutos.
- Ai, ai, como você consegue ler e ouvir música ao mesmo tempo, meu camarada? – perguntou ele ao homem
- Você sabe a resposta dessa pergunta. Já nos perguntou isso exatamente 479 vezes. – respondeu o individuo misterioso – O que quer conosco? Devo imaginar que não veio aqui meramente para nos visitar.
- Ainda referindo-se a si mesmo no plural? Você é estranho... – Ivanovich sentou-se em uma poltrona próxima - Você soube que o cacodemônio ancestral Atlantis despertou nessa era não é? Eu realmente achei que ele seria capaz de afundar o planeta inteiro, e fui ao seu encontro para derrotá-lo... Mas minha subordinada Francesca fez todo o trabalho.
- Atlantis não passa de um arrogante. Era fraco no passado, e continua fraco na era atual. – o homem interrompeu a leitura – Mas não foi por isso que você veio nos procurar.
-Bom...O negócio é quando eu voltei pra sede da OTAM... – continuou Ivanovich – O pessoal tava em polvorosa, dois de meus homens haviam voltado a beira da morte... Então eu fiquei sabendo que o G7 tinha dado uma ordem para eliminar o Kamuiya...digo, o projeto 68 Vehuiha Bael. O que significa isso??
- Nós acreditamos que não precisamos de explicações. Você também deve ter sentido o momento quando ele despertou como o Príncipe Demônio.
- Sim, mas...
- Você conheceu pessoalmente o Bael original. A existência daquele demônio é algo que não se encaixa nem no bem nem no mal... ele é o caos personificado. – o homem interrompeu Ivanovich – Em nome da paz e da justiça, ele precisa ser eliminado, pois poderá se tornar um grande empecilho para a nobre missão que recebemos de Deus.
Ivanovich ficou em silêncio por um minuto.
- É irônico... Lembra da minha subordinada que te falei? A Francesca?
-Decerto que sim. A que derrotou Atlantis, não?
- No passado, ela foi namorada do Kamuiya. Aconteceram algumas coisas que eu não vou entrar em detalhes, mas ela acabou entrando para a OTAM. – disse Ivanovich – Quando a encontrei, ela estava com a mente completamente quebrada... Ela passou por muitas tragédias. Por isso, começou a reprimir qualquer tipo de emoções. Ela atingiu o estado de ‘Mu’ , o completo vazio. Por isso, ela se tornou a mais pessoa poderosa da OTAM.
- Os dramas pessoais de suas subordinadas não nos interessam. – retrucou o homem misterioso – Onde quer chegar?
- Enfim, apesar disso tudo... A Francesca sempre falou do Kamuiya. Apesar de agora ser uma alma vazia sem outro objetivo de vida que não seja lutar, quando ela entrou para a OTAM ela me fazia ficar horas falando sobre o amor de infância dela.
-Quem imaginaria, você cumprindo um papel paternal... Mas nossa paciência chegou no limite, seja direto.
- O que eu quero dizer é que...Eu sei tudo sobre o mestiço chamado Kamuiya. Desde o que ele gosta de comer, até a hora que ele acorda, a Frankie me fez decorar tudo. Por isso eu posso afirmar com certeza... Que ele não vai se entregar ao poder do demônio! – disse Ivanovich – O sonho dele é levar uma vida pacifica... Eu estou certo disso, o Kamuiya vai lutar contra todas as forças para resistir, ele fará o que for preciso!
- Hm...e ele será que ele se aliaria aos Blends? – perguntou-se o desconhecido
- Blens? – perguntou o líder da OTAM – Quer dizer, “aquele” grupo de Blends, liderado por “aquele” cara?
- Exato... Nós acompanhamos o Príncipe Demônio desde o momento de seu despertar, até que ele foi levado por dois dos Blends... Mas ele negou-se a se juntar a eles. Nós vimos com nossos próprios olhos.
-Ah, mas pode ter certeza que ele vai voltar atrás.
-Nesse caso...Se ele realmente se aliou aos blends, nós iremos retirar nossa ordem. – o homem misterioso terminou seu copo de vinho – Os Blends são uma poderosa armada de Deus, e eles causarão muitos danos nas forças do mal. Mas se você estiver errado...
-Se eu tiver errado, pode deixar que te peço desculpas e mato o príncipe demônio pessoalmente...meu camarada Lazarus!!
![]() |
| minha homenagem ao mangá coreano que fiquei viciado, The Breaker New Waves xD (pose do goomoonryong) |
Lá estava ele, com um cabelo maior e mais rebelde, e uma fisionomia mais severa, apesar de parecer não ter envelhecido um único dia sequer... O herói nacional, Lazarus Lincoln!
-NÃO NOS CHAME POR ESSE NOME!
- Hahh..desculpa, desculpa! – Ivanovich sorriu – Mas então, estamos conversados? Vai retirar a ordem, já que você é o cara que manda no G7 por detrás das cortinas?
-Sim. Iremos retirar a ordem de execução. Mas uma duvida ainda nos resta... Por que está se importando tanto com isso?
-Vamos dizer que...Depois da Frankie falar tanto dele, eu meio que simpatizei com esse garoto.
- Que seja. Já desistimos de entender o que se passa na sua cabeça a muitos séculos.
- Bom, era só isso mesmo. Eu já vou indo, desculpa interromper sua leitura, Lazarus! – Ivanovich falou só para provocar
- PELA ULTIMA VEZ! NÃO NOS CHAME DE LAZARUS! – irritado, ele tacou a taça de vidro e Ivanovich desviou desajeitado – Nos chame pelo nosso verdadeiro nome.
- Mas, Lazarus é mais bonito... Por que você ainda usa aquele nome estranho?
-Não é obvio? - ele levantou-se da poltrona para guardar o livro, e se cobriu com uma capa rasgada. – “LEGIÃO” É NOSSO NOME... POR QUE SOMOS MUITOS!





Cara como eu odeio o Ivanovich...
ResponderExcluir"Legião porque somos muitos"... huahuauhahuauhah Tenho que ter muito cuidado pra não dar spoiller hauhuahuahua
e.e
ResponderExcluirKKKKKKKKKK
Ivanovich é um dos meus preferidos...