Mesmo assim, Kamuiya acabou simpatizando com ele. O blend ruivo sentiu como se o conhecesse de algum lugar... mas onde?
O “Aniki” Lúcio sentou-se em um dos bancos de mármore do lado de fora de sua mansão, para que Kamuiya pudesse apreciar a vista.
A mansão era imensa, possuía três andares, e alguns quartos de sótão. Atrás dela havia uma grande torre de transmissão wireless, mas que fora readaptada pelo proprietário para capturar e fornecer energia elétrica. Além dos pátios revestidos por paralelepípedos de granito que formavam mosaicos e um belo jardim, havia uma mureta delimitando a propriedade de Lúcio. Um belíssimo portão de ferro marcava a entrada, que se estendia para um caminho pavimentado por dentro de uma floresta frondosa e verdejante.
Aquele era o lugar mais bonito que Kamuiya já tinha visto.
- Nossa... Pra ter uma casa assim... Você deve ser podre de rico! - disse Kamuiya
-Haha, que nada – Lúcio sorriu envergonhado – Eu apenas ganhei de presente...
“Ganhou de presente?” Kamuiya pensou em perguntar sobre, mas achou melhor não ser tão intrometido.
Logo em seguida, Lúcio apresentou a mansão por dentro.
-Esta é a sala de estar... Esta é a cozinha... Aqui fica um dos cinco banheiros – dizia o rapaz, meio envergonhado por ter uma casa tão grande, enquanto Rachel apenas os seguia calada e com um olhar ranzinza. – E finalmente... Esse é meu laboratório, onde eu estou produzindo o remédio que vai curar os genes demoníacos. – Lúcio apontou para uma porta no fim de uma escadaria para o porão da residência. – Nunca, em hipótese alguma, você deve entrar aí... O mesmo vale pra você Rachel.
- É, eu sei, eu sei. – disse a garota – Você não tem como garantir nossa segurança se a gente entrar aí...
- Uau! Então você é um cientista mesmo? – perguntou Kamuiya, que ainda não havia se acostumado com o estereotipo de Otaku do Lúcio.
-Cientista não...O correto seria... – O rapaz olhou sério pro cima dos óculos – Alquimista!
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| Lúcio o otaku KKKK |
-Alquimista, eh? – claro que para Kamuiya aquilo não fazia a menor diferença – Mas então, e quanto ao remédio que você tá criando?
-Ah sim...primeiro você precisa entender uma coisa... – Lucio coçou a cabeça – é meio complicado, mas vou tentar explicar de um jeito fácil...
*Hora da aula!*
Há dois mil e onze anos atrás, um fenômeno anormal ocorreu neste mundo. Um fenômeno que deu origem aos anjos e aos demônios. Isso era de conhecimento geral. O que poucos sabem é... O que realmente foi aquele fenômeno.
Por razões tão desconhecidas quanto à origem da vida, o planeta foi coberto por uma substância que Lúcio batizou de “Physis”.
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| achei foda essa imagem, foi mais ou menos isso ae que aconteceu. |
A “Physis” foi o fator responsável por modificar os genes dos anjos e dos demônios, transformando-os no que são. Mesmo nos dias atuais, o mundo continua coberto pela Physis. Ela é uma substância presente em todas as partes, no ar, na terra, na água, até mesmo dentro dos corpos dos seres. A Physis não pode ser visto, não emite cheiro, e sua existência sequer pode ser percebida.
Quando um anjo luta, ele capta a “Physis” do ambiente para usá-la como combustível para seus golpes elementais. Ela seria o que chamam de “energia Elemental”, mas em um campo muito mais abrangente, visto que ela fornece todos os tipos de elemento, incluindo o arqué de Kamuiya e o psique de Rachel, além de todos os demais elementos ainda não descobertos.
Se fossemos falar em linguagem de games... Physis seria o que chamam de “Mana”.
-Entendeu, Kamuiya? – Lúcio perguntou.
- ... – o garoto já havia desistido de prestar atenção na segunda frase. – E o remédio?
-... Enfim... Eu estou tentando produzir uma nova versão da Physis original, a que modificou os genes dos organismos... Se eu conseguir produzir uma Physis sólida, mas alterá-la para recuperar os genes ao estado original, usando compostos com capacidade de cura e regeneração ( como os anticorpos de Bergstein) ... Ao invés de transformar um ser vivo, ela vai fazê-lo retornar ao seu estado original.
-Ah...acho que entendi... – Era obvio que Kamuiya não entendeu quase nada.
- Mas, apesar de eu ter conseguido todos os compostos regenerativos de que precisava... Ainda falta algo para tornar a “Physis” funcional. Trata-se da maior fonte de energia que o mundo já viu... Estou falando disso aqui.
De seu bolso, Lúcio retirou uma estrutura em forma de semi-arco, que emitia um belo brilho dourado. Kamuiya já havia visto aquilo. Ele nunca iria se esquecer. Aquela coisa...havia uma igualzinha na cabeça de Barbatus, o dragão que ele enfrentou há muito tempo atrás, na ilha dos demônios!
Aquele objeto foi o real motivo do principado Phill, que estava disfarçado de estudante normal, enviar Kamuiya e seus amigos para a ilha. Com a confusão que eles causariam enfrentando os demônios, eles despertariam Barbatus, para que Phill pudesse derrotá-lo e levar o objeto, que posteriormente entregaria para Ivanovich.
- O que é isso, Lúcio??
- Isso aqui é... Um pedaço da auréola de Satanel, o Rei dos demônios!
- Quê??? – Kamuiya perguntou espantado
-Isso mesmo. O Rei demônio tinha uma energia tão absurda, que mesmo após ser derrotado, ela continuou existindo. A sua auréola se compactou e se solidificou, espalhando-se pelo mundo.Precisamos juntar as 4 para energizar a Physis. – Lúcio continuou com a explicação - Para isso, contamos com a ajuda de mais 5 mestiços, que procuram informações sobre as partes da auréola... Todo fim de semana, nós nos reunimos para trocar informações , e treinar.
Terminada a explicação, Lúcio prepara um almoço para Kamuiya e Rachel (“ a cozinha é um dos melhores laboratórios ”). Enquanto comia, Kamuiya explicou a sua situação atual, perguntando se podia ficar escondido na mansão dele por uns tempos, até eles completarem a Physis.
-Tenho certeza...Depois que esse remédio ficar pronto, e eu voltar ao normal, poderei viver uma vida normal novamente!
-Hahaha, tudo bem, Kamuiya! –disse o “Aniki” - Você pode ficar em qualquer um dos 20 quarto, o tempo que for preciso...
-Eu vou ficar por aqui também! – disse Rachel, enérgica – N-não que eu queira ficar perto de você, ou esteja preocupada contigo... – a garota gaguejou e corou
-Ahn?
- Não me olhe assim, seu nojento! – Rachel deu um tapa em Kamuiya, só por ter olhado para ela – Preste atenção Já que vamos viver um tempo sob o mesmo teto, quero que você fique sempre a cinco passos de mim! SENÃO, EU VOU TE BATER! – disse ela, subindo as escadas e batendo a porta do quarto.
-Droga...realmente não entendo ela. – Kamuiya murmurou, enquanto Lúcio abafava uma risada.
E dessa forma, teve inicio a estadia de Kamuiya na mansão de Lúcio. Com um novo objetivo e novos aliados estabelecidos, um pouco da angustia do coração de Kamuiya se esvaiu. Porém, lá dentro, ainda restava um medo, um temor primitivo, que ele não sabia dizer exatamente o que era...
-“Por que...” – pensou ele – “Por que eu me sinto tão ameaçado quando to perto da Rachel???”





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