Kamuiya preparou-se para lutar.
-Julgamento??
-Sim! Eu vim em nome de Heather, levá-lo para ser julgado pelos líderes do G7 !
-“Executado”, você quer dizer! A mim vocês não levam sem luta!
-Que pena... Eu preciso levar você a qualquer preço! – Ingrid conjurou a sua imensa serpente vegetal – É a única forma de você resolver isso! LOTUS ECHIDNA!
Antes mesmo que Kamuiya pudesse pensar em se defender, um vulto verde passou por ele. Era Rachel, que golpeou a criatura de Ingrid com seu machado de pisque.
-Kamuiya! Eu vou segurá-la! – disse a garota – Vá chamar o Lúcio!
O ruivo não hesitou. Ele havia acabado de experimentar na pele a força de Rachel, e sabia que a garota poderia muito bem segurar uma oponente do nível de Ingrid, mesmo ela tendo os poderes da presidenta daquele país, e ser uma ex-assassina da Blitze 2.
Kamuiya correu em direção à mansão, onde Lúcio se divertia com seus jogos, alheio àquilo tudo. Por um momento, o garoto ficou animado. “Lúcio é um principado que pode dominar todos os elementos... Enfim vou vê-lo lutando... Estou curioso!”
Porém, o mestiço não conseguiu chegar até a mansão. Foi a vez de um vulto branco cair em sua frente, e Kamuiya sabia bem quem era...
-Ivanovich!
O líder da OTAM em pessoa havia voltado da forma de helicóptero, caindo bem na frente de Kamuiya, com seu típico sorriso despreocupado.
-Calma, calma, meu garoto – disse ele, quando Kamuiya preparou-se para dar-lhe um golpe.
Ivanovich não pareceu tentar defender o golpe. Ele simplesmente olhou nos olhos de Kamuiya, quando o chute do garoto se aproximava de seu rosto. E Kamuiya, olhando aqueles olhos, lembrou-se de todo o terror que sentiu na luta contra os dois principados anteriormente.
Se os subordinados eram daquele nível assustador... Ele não conseguia nem imaginar a extensão dos poderes de Ivanovich.
O garoto deteve seu chute, saltando para trás ao invés disso.
-“Merda..” – ele ofegou – “Eu estou com medo até de encostar nele??”
- Vamos... – disse o líder da OTAM – Eu sou um amante da paz...Nada de brigas desnecessárias aqui. Viemos apenas levá-lo para seu julgamento.
-Julgamento? Eu não vou cair nessa! – Kamuiya se preparou para liberar o serafim – Eu tenho cara de idiota? Eu sei que o G7 quer me executar!
- Eu lhe dou minha palavra, não vão executar você!- disse Ivanovich
- E-eu não posso garantir isso – Ingrid, que trocava golpes com Rachel, falou desconcertada.
-Eu posso. – Ivanovich sorriu com confiança.
Kamuiya hesitou durante um tempo. Ele sabia que no nível que estava, seria realmente impossível derrotar o líder da OTAM... Não havia outra opção ali a não ser acreditar na palavra dele...Afinal, se Ivanovich fosse executá-lo, ele seria capaz de fazer naquele mesmo instante, em um piscar de olhos.
-T-tudo bem... – Kamuiya consentiu.
-KAMUIYA! – Rachel o abraçou com força – Não vá com esses caras!
-Rachel.. – Kamuiya fingiu que lhe deu um beijo em seu rosto para sussurrar umas palavras no ouvido dela – Por favor, não se envolva nisso, se eles descobrirem que você também é uma mestiça, também podem querer te executar...
-K-kamuiya...ah... – a garota estava mais atônita, não pelas palavras de Kamuiya, mas por ele ter se aproximado tanto de seu rosto.
E assim, usando o seu elemento ‘metal’ , o líder da OTAM trasmutou seu corpo na forma de um helicóptero Chinook, no qual embarcaram Kamuiya e Ingrid. Rachel apenas observou o veículo decolando, e Kamuiya, que a olhava fixamente.
-Não me envolver...Pro Inferno com isso! – Rachel correu em direção a mansão – Eu não vou deixar eles te mataram, Kamuiya!
Rachel quase derrubou a porta da sala de jogos de Lúcio, fazendo o principado chegar à beira de um ataque cardíaco com o susto.
- O- o que houve? – disse ele, dando pause no jogo e tirando os fones de ouvido
- QUE MERDA! VOCÊ FICA AÍ JOGANDO QUANDO A GENTE MAIS PRECISA!
-R-rachel... Você tá me assustando D:
A garota sempre tentou respeitar o “Aniki”, mas dessa vez ela não se conteve mais.... Tudo por causa de Kamuiya. A mestiça logo foi explicando o que tinha acabado de acontecer, e que Lúcio não havia percebido nada por estar com os fones de ouvido.
-ANDA LOGO! – disse a garota – VAMOS REUNIR TODOS OS MESTIÇOS E PARTIR PRA CIMA!
Entretanto, Lúcio não respondeu. Ele estava com um olhar sombrio.
-Isso não será necessário.
- O quê?
-Se aquele homem chamado Ivanovich está envolvido pessoalmente... O nosso amigo Kamuiya vai ficar bem.
-Como pode dizer isso? O cara é o chefe da OTAM!
- Ivanovich acha que é um tipo de bom samaritano... Parece que ele se diverte ajudando ‘casos perdidos’ como o Kamuiya... - Calmamente, ele tirou e limpou os óculos. – ... E como eu.
-Como os líderes do G7 sabiam onde eu estava? – Kamuiya perguntou
- Ninguém sabia... Foi o Ivanovich que disse que você estaria aqui.
-Ah é? E como você sabia que eu estaria aqui, Ivanovich? – Kamuiya reformulou a pergunta, desconfiado.
- Hehehehe. – o líder da OTAM materializou sua cabeça no painel de controle da aeronave – Pelo visto, você é quem não sabia onde estava... Olhe para a paisagem lá fora.
Kamuiya olhou pela janela, e viu que as colinas e florestas verdejantes sumiram repentinamente a partir de um certo ponto, dando lugar aos desertos rochosos do interior de San Mikael. Era como se a região onde ficava a mansão de Lúcio e seus arredores fora “recortada” de outro lugar e “colada” ali.
-Esse deserto... Estamos ainda em San Mikael! Mas, como uma área tão bonita pode existir no meio do deserto? É um tipo de oásis?
-Não, Kamuiya... A área verde e fértil, é o ambiente original dessa região – Ingrid explicou – O deserto na verdade, é o resultado da passagem do Rei Demônio!
-Ahn? Então por que aquela área continua normal?
- É por que.... Aquela mansão é a casa do “Tesla”
-Tesla? O terceiro cientista iluminado? – perguntou Kamuiya, lembrando-se do grupo do qual também fazia parte seu falecido pai.
-Sim... Aquela é a mansão onde viveu Tesla, o homem que deu o golpe final no Rei Demônio Satanel... – disse Ivanovich – E O PRIMEIRO LÍDER DA OTAM!
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| reconhecem? respectivamente, o Tesla, o pai do Kamuiya ainda com cabelo, e o Günz sem as cicatrizes/costuras |
Agora as coisas faziam mais sentido para Kamuiya. “Ganhei a mansão de presente”. Então Lúcio era parente do primeiro líder da OTAM!
E então, cerca de meia hora depois, Ivanovich aterrissou em frente à sede do governo de San Mikael.
*esse vídeo expressa perfeitamente essa cena, por favor, vejam até o final pra entrarem no espírito da coisa ^^*
Guiado por Ingrid e seguido por Ivanovich, Kamuiya entrou no prédio da prefeitura de San Sebastian, a sede do governo naquele país. Em cada um dos países, havia uma filial do G7, e as reuniões aconteciam eventualmente em cada uma delas. Dessa vez, aquele julgamento ocorreu em San Sebastian por Kamuiya ser natural daquela cidade.
Passando pela recepção, Kamuiya foi guiado para uma área de escritórios, com dezenas de empregados trabalhando em seus afazeres diplomáticos. Passando por outra sala, eles alcançaram um lugar onde variam vários computadores, em que os funcionários monitoravam o mundo dos demônios e outros assuntos de segurança nacional, alertas para qualquer movimento de um dos Imperadores do Inferno. Após essa área, eles entraram em um elevador, que ascendeu até a cobertura do prédio. Kamuiya nem quis imaginar que tipo de atividades ocorria nas demais salas.
Finalmente, ele alcançou o corredor onde estavam ao quadros dos antigos líderes. Kamuiya, por um momento estranhou que no prédio inteiro, não havia nenhum segurança. Mas ele logo se lembrou, seguranças não eram necessários ali... Pois do outro lado daquela porta, estavam os anjos mais poderosos do mundo.
Aquela sala não era um tribunal ou coisa parecida. Ela simplesmente uma sala de reuniões, onde estavam hasteadas as 7 bandeiras na parede dos fundos. Sentados na grande mesa de ébano, os 7 líderes dos países. No lado direito, Heather, Byakki e Rafys. No lado esquerdo, Ethienne, Vicenzo e Schneider. E no meio, o homem que tinha a palavra final, Abraham.
No fim das contas, o juiz, os advogados, e o júri, eram todos incorporados pelo G7. Eles eram os anjos mais poderosos. E naquele mundo, o poder era a lei.
Kamuiya, entretanto, só conseguia olhar para uma pessoa.
-Schneider! – rosnou ele, baixinho
O Fhurer de Wolfstag, que por assim dizer era um clone menor de Kamuiya, retribuiu o olhar agressivo. A poucos meses atrás Kamuiya quase morreu pelas mãos dele. Agora o garoto estava ali, na posição de líder enquanto Kamuiya era o réu.
-Afinal, que crime esse merdinha cometeu? – perguntou Schneider
-Nenhum. – respondeu Abraham – Exceto o de ser um blend.
Ao ouvir aquilo, Schneider baixou seu olhar arrogante. Afinal de contas, ele era um blend também.
-Como sabe, não podemos contatar a OTAM, sem o consentimento de todos os líderes desta organização. – continuou o homem – Entretanto, a OTAM, representada pelo senhor Ivanovich, foi contatada para eliminar Kamuiya, sendo que não houve nenhuma reunião para tal. Chegamos a conclusão que alguma pessoa nessa sala desrespeitou as regras da organização. E esta pessoa foi...
-“Schneider...eu tenho certeza que foi Schneider” – pensou Kamuiya.
-Eu mesmo! – disse Abraham
- “O quê?” – pensou Heather
-“Não foi Schneider?” – Byakki se espantou
-S-senhor Abraham –Etheinne se levantou da cadeira – Como pode fazer isso?
- Peço que compreendam... Quando chegou aos meus ouvidos que o Príncipe dos demônios havia despertado, pensei que haveria uma situação semelhante à batalha contra o Rei Demônio Satanel, não poderia esperar para reunir todos antes de dar a ordem de execução. Sei que vocês entendem...
-Eu...entendo.. – Ethienne se sentou
-Eu não gostei nem um pouco da idéia – a princesa Rafys bocejou – Ele é só um garoto.
-Que isso não se repita mais, Abraham! – bradou Byakki.
- ... – Schneider evitou falar qualquer coisa, apenas acenou concordando.
- Não me importo. – Vicenzo se levantou – Me chamando aqui apenas por causa dum moleque... Eu vou lá fora fumar. – disse o Rei de Corleone, dirigindo-se a área aberta da cobertura. – Façam o que quiserem com ogaroto.
Heather, entretanto, ficou calada o tempo inteiro.
- Então, já que não há nenhuma testemunha que alega ter visto este garoto se transformando em um demônio, se é que isso realmente é possível, visto que ele ainda me parece um anjo normal... – disse Abraham – Todos concordam comigo que ele é inocente?
Os lideres concordaram imediatamente. Ivanovich deu tapinhas nas costas de Kamuiya, comemorando que tudo deu certo, e em seguida se despediu, pegando seus charutos e indo fumar também. Abraham ofereceu um café para o ruivo, mas ele não aceitou. Só queria ir embora dali o mais rápido possível.
A presidenta Heather o escoltou pessoalmente com sua limusine até a casa do garoto.
-Kamuiya... Eles não sabem que você pode virar um demônio e voltar ao normal em seguida... – disse a mulher – Eu omiti essas informações, pois quero que eles pensem que toda essa história é só um engano... Por favor, peço que me desculpe por isso, e se possível, dê o seu melhor para não virar um demônio novamente... Eu não sei se poderemos te salvar de uma situação como essa novamente.
-T-tudo bem. – Kamuiya saiu do carro, despedindo-se respeitosamente da presidenta.
Ao fechar as portas, porem, a mulher virou-se para Ingrid e falou:
- O Abraham nunca tomaria uma decisão dessas. Ele iria preferir morrer a quebrar uma das leis do G7 – disse ela a sua versão mais jovem, que sempre a acompanhava – Tem alguma coisa muito, mas MUITO estranha acontecendo nessa organização!




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