-“Então eu durmi mesmo com ela...”
O ruivo abriu os olhos, mas viu que a menina não estava deitada ao seu lado.
-Hm? Onde você está? – perguntou ele, com preguiça de se levantar.
- Aah, você acordou ^^ - a menina estava de pé olhando o nascer do sol, a alguns passos atrás do garoto – Eu estou bem aqui :3
Kamuiya arregalou os olhos. Por um momento, ele sentiu como se tivesse levado um grande choque. Aquela voz... não podia ser. Ele não se assustou pelo fato de não ser a voz que ele estava esperando ouvir... Mas sim por ser a voz de uma pessoa que ele conhecia muito bem.
-N-não pode ser... – ele se levantou, virando-se para a direção de onde a voz vinha – F... fr...
-FRANKIE?!
-Desculpa, você estava dormindo tão gostoso, eu não quis te acordar.
Kamuiya estava perplexo. A Frankie, ali? E ainda por cima, ela estava sorrindo? Ela parecia tão ....feliz. “Um sonho” - Foi a primeira coisa que Kamuiya pensou. Ele olhou aos arredores, mas tudo lhe pareceu tão real... A arena destruída, o templo, a floresta, a rocha no meio do mar ao longe... Até mesmo Ravana, o demônio derrotado no dia anterior, jazia inerte no outro lado da arena. Kamuiya, entretanto, não estava convencido. Ele pegou uma pedra afiada no chão, e fez um corte em seu braço.
-AAGH! – O corte parecia bem real, assim como a dor.
-KAMUIYA! – Frankie correu em direção a ele – O que está fazendo?
-Fr-frankie... eu...
Kamuiya parou de falar quando a garota se ajoelhou e segurou seu braço machucado, examinando a ferida. Aquela mão gelada...aqueles dedos magros que pareciam os de uma boneca... E sobretudo, aqueles olhos verdes iguais ao de uma criança inocente...
-Fran... Frankie... – Kamuiya estava confuso e com o coração acelerado - É você mesmo?
- E por que não seria eu? – a garota perguntou, com um tom ingênuo.
- Por que você está aqui? E a OTAM?
-OTAM? – Frankie perguntou.
-É...você não é uma agente da OTAM? O que está—
Frankie o interrompeu com uma risada.
- Eu na OTAM? Você é engraçado Kamuiya! – a garota segurou o riso – Por que eu estaria na OTAM?
-N-não sei... Você entrou prá lá depois que a gente terminou, eu acho...
-Nós terminamos? Do que você tá falando, Kamuiya? Quando foi que nós terminamos??
- Aquele dia na praia... Quando eu quase matei aqueles garotos...
-Quase... matou... pff – Frankie fez um grande esforço para não rir – Kamuiya, você apanhou tanto daquele pessoal que eu tive que te salvar.
-Ahn... – Kamuiya estava realmente confuso. Ele tentava se lembrar daquele dia, mas as memórias de ser possuído pelos instintos do príncipe demônio pareciam um sonho distante...O que ele realmente lembrava era de Frankie retornando e lutando ao seu lado para salvá-lo.
- Meu bobinho :p – a garota deu um tapinha na cabeça de Kamuiya – Sempre com essas piadas...
- Não... – Kamuiya começou a suar frio - Frankie, tem algo errado!
- O que está errado, Kamuiya? – a garota perguntou, preocupada
O que está errado... O que estava errado ali? Kamuiya se esforçou para raciocinar... sua cabeça estava doendo e suas memórias pareciam estar envoltas em uma névoa... O que estava errado?
-“Em primeiro lugar, você não deveria estar aqui... Era pra você estar com a OTAM!” – Kamuiya pensou consigo mesmo – “Segundo, por que você tá tão...normal? E terceiro...onde está a Ra...” – Nesse momento, Kamuiya olhou para seu braço. – “CADÊ MINHAS FAIXAS?”
Desde que seu pai selou os instintos do príncipe demônio, Kamuiya sempre sentiu uma dor insuportável nos braços, dor essa que por algum motivo sumia quando ele se enrolava com faixas. Por isso, ele sempre andou com ambos os braços enfaixados, para conter a dor provocada pelo selo. Kamuiya virou a mão para observá-lo... Mas não havia selo nenhum. Aquilo significava que...
- Eu não sou um blend??
-Blend? – Frankie perguntou – O que é isso?
Kamuiya não respondeu. Fazia sentido... Se ele não fosse um blend, nunca teria sido dominado pelos instintos de Vehuiha Bael... Nunca teria possuído o arqué, que fazia ele ser perseguido pelos outros anjos, e nunca teria cedido aos genes do demônio e espancado os garotos que o perseguiam até quase a morte... E se isso nunca tivesse acontecido... Frankie nunca teria terminado com ele!
O garoto estava perplexo. Aquilo parecia tão certo...Mas... se as coisas fossem daquele jeito mesmo... O que eram aquelas memórias de batalhas e de uma menina de cabelos brancos, que pareciam perdidas em um canto da mente de Kamuiya.
-Estão tão confuso... – Kamuiya colocou a mão na cabeça – Os últimos 8 anos da minha vida parecem tão... embaralhados.
Ao ouvir aquilo, Frankie, que até então estava achando graça da confusão de Kamuiya, ficou preocupada. Ela se levantou, e começou a andar em círculos.
-Entendo... Você teve algum lapso de memória ou algo assim... – A garota concluiu, meio receosa – Só pode ser efeito...de algum elemento do mundo dos demônios! Então eles realmente existem!
-Elementos demoníacos?
-Sim! A natureza funciona diferente no mundo dos demônios, já te falei... – a garota explicou – Existem elementos ainda desconhecidos, se formando a todo o instante... Dizem que existe até um elemento que pode alterar as dimensões e criar novas realidades. Você dever ter sido afetado por algum elemento que mexe com os memórias.
Ao ouvir aquilo, Kamuiya se tranqüilizou. “Agora faz sentido”, ele pensou. Aos poucos, ele começou a se lembrar...
Frankie, nesses últimos 8 anos, decidiu seguir os passos dos pais e se tornar uma meteorologista Elemental. Mais do que isso, ela queria superar o trabalho de sua família... Não apenas estudar os fenômenos meteorológicos dos ‘7 céus’... Mas entender também a natureza anormal dos ‘ 4 Infernos’ e seus elementos demoníacos. Com sua força e talento naturais, não era problema para Frankie ir até o Inferno estudá-los, mas é claro que Kamuiya não ficaria tranqüilo se sua namorada fosse sozinha até o mundo dos demônios, por isso a acompanhou. E então, chegamos aonde estamos.
Kamuiya agora estava tranqüilo. Ele olhava o semblante da menina, que ainda andava em círculos, repetindo formulas de física baixinho, tentando chegar a alguma lógica sobre a confusão de memória de seu namorado.
-“Então é verdade... Frankie” – Kamuiya sentiu lagrimas brotarem em seus olhos – “Frankie... Você está aqui comigo!” - ele se levantou – FRANKIE!!
-Eh...?
- FRANKIE! – Kamuiya correu e a abraçou com tanta força que a derrubou – NÃO ME ABANDONE MAIS!
-Kamuiya... - Frankie , compreensiva com a situação do garoto, o abraçou de volta
-POR FAVOR! – as lagrimas desciam sem parar dos olhos de Kamuiya - NÃO ME DEIXE SOZINHO DE NOVO!
– Eu nunca vou te abandonar!
- Promete?
- Prometo! Você sabe que se não fosse por você... Minha vida seria completamente vazia.
-Sim, eu sei... – Kamuiya sorriu. – Eu te amo, Frankie.
-Eu te amo mais, bobinho ^^
Kamuiya a abraçou ainda com mais força. Frankie acariciou se rosto, e puxando-o para cima, o beijou. Os lábios da garota... Era uma sensação que Kamuiya havia esquecido há tanto tempo... Era algo tão...puro...
Ali, naquele momento, Kamuiya não estava nem um pouco nervoso ou inseguro. Pelo contrário...ele estava tranqüilo, estava em paz... A paz que ele tanto queria... Kamuiya sentia que não precisava de mais nada. A sensação de estar com a garota... Era tão perfeito... Kamuiya se sentia tão frágil, e ao mesmo tempo, tão protegido... Ele queria que aquele momento durasse para sempre. O mundo ao redor dele poderia ser reduzido a cinzas, não importava... Desde que Frankie estivesse com ele, Kamuiya tinha certeza que tudo ia ficar bem... Ao lado dela, ele estava completo.
- Isso... – disse ele – Isso é amor de verdade!
-Seu fofo – Frankie limpou as lagrimas dos olhos dele, e encostou a cabeça do ruivo no seu ombro. – Relaxe um pouco... Quando sua dor de cabeça passar, vamos voltar pra casa ^^
-Tá... – Kamuiya fechou os olhos.
E então, o garoto adormeceu nos braços de sua amada. Se havia alguma coisa em que Kamuiya era mestre, essa coisa era dormir. Ele podia calcular e planejar o tempo de cada soneca. Kamuiya havia se programado para tirar apenas um cochilo rápido, mas Frankie era um ‘travesseiro’ muito macio... Aquele clima estava tão perfeito... E Kamuiya acabou dormindo mais do que ele planejou.
-HM? – Kamuiya acordou bruscamente
A primeira coisa que ele notou, foi que não estava abraçado com Frankie. Novamente, ele havia acordado no chão do templo.
-Desculpa...Eu acabei dormindo demais, não é, Fra...
Kamuiya engoliu suas ultimas palavras quando olhou para o lado. A menina estava deitada ao lado dele, ainda adormecida, mas... Não era a Frankie.
-R-rachel?
Kamuiya olhou ao redor, e novamente, tudo parecia normal. A arena destruída, o templo, a floresta, a rocha no meio do mar ao longe... Até mesmo Ravana, o demônio derrotado no dia anterior, jazia inerte no outro lado da arena.
Exatamente como ele se lembrava...
-“Então a Frankie...” – pensou ele – “Foi só um sonho?”
Kamuiya suspirou. Ele olhou para seus braços, que estavam enfaixados como sempre. Porém...ele viu algo que o assustou.
Havia uma mancha de sangue debaixo de suas ataduras... Exatamente no lugar do ferimento que ele havia feito com a pedra no seu ‘sonho’...
Impossível! Mas como aquilo poderia acontecer? Antes que pudesse pensar mais no assunto, Kamuiya viu um fluido que alternava seu brilho entre preto e azul claro, se dissipando ao redor dele. Sem duvidas era... Um elemento demoníaco.
Kamuiya arregalou os olhos. Em um pensamento relâmpago, todas as respostas vieram à sua cabeça, quando ele lembrou-se de uma frase que Frankie havia dito...
“-Dizem que existe até um elemento que pode alterar as dimensões e criar novas realidades.”
“- Impossível... Mas ao mesmo tempo não existe outra explicação...” – ele pensou – “ Então tudo não foi um sonho... Por alguns segundos, eu estive em outra realidade...Em uma realidade em que eu não era um blend... E QUE A FRANKIE AINDA ME AMAVA!”
-Mnn... Kamuiya...
Kamuiya engoliu seco. Ele olhou para o lado e viu Rachel, que despertava de seu sono, roçando seu rosto no braço de Kamuiya. O coração do garoto disparou como se fosse explodir. Ele suou frio. Havia uma questão ainda mais importante do que a suposta realidade alternativa.
-“Rachel... O que é esse sentimento que tenho por você?” – ele se perguntou, perturbado – “Afinal... o que você é pra mim?”



ou seja! esse elemento dos 4 infernos tem quase o msm grau de brisamento que uma verdinha tem num rastafari! kkkkkkkk'
ResponderExcluirKKKKKKKKKKK como foi dito 'titulo mais bob marley impossível'
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